Gripes das aves - Como prevenir a doença e detetar os sintomas

2022-05-16

Os relatos sobre surtos de gripe das aves (ou gripe aviária) estão a ressurgir em todo o mundo. Casos do vírus do subtipo H5N1 HPAI foram confirmados em muitos países e em várias regiões da Ásia, da Europa, incluindo em Portugal, e da América do Norte, quer em aviários quer em aves selvagens. Até agora, mais de 31 milhões de aves foram abatidas este ano para tentar evitar a propagação do atual surto do vírus da gripe aviária (GA).

Neste artigo partilhamos informação útil sobre sinais e sintomas da GA, sobre boas práticas para ajudar a prevenir a propagação da GA, e sobre como deve proceder caso detete um caso positivo de gripe aviária no seu aviário.

Sinais e sintomas de gripe aviária nas aves

A gripe aviária é uma doença causada por vírus da gripe tipo A, que pode infetar aves selvagens e domésticas. Vários fatores podem contribuir para a propagação da GA, tais como migração de aves selvagens, comércio internacional de aves e pontos de contacto entre aves selvagens e humanos. A GA é mais frequente nas regiões mais frias, devido à resistência do vírus a temperaturas baixas e muito baixas.

Existem dois tipos clínicos de vírus da gripe das aves em aves de capoeira: altamente patogénico (HP) e de baixa patogenicidade (LP). As estirpes de gripe aviária HP podem espalhar-se rapidamente nos bandos de aves, podem causar falência de múltiplos órgãos e um súbito e elevado nível de mortalidade. As estirpes de gripe aviária LP manifestam-se por infeções assintomáticas, doenças respiratórias e/ou quebra na produção.

Sintomas de gripe aviária nas aves:

  • Morte súbita sem sinais de aviso
  • Descoloração roxa da crista e das pernas
  • Inchaço da cabeça, pálpebras, crista e jarretes
  • Ovos de casca mole ou deformados
  • Diminuição da produção de ovos
  • Falta de energia, apetite e descoordenação motora
  • Diarreia
  • Descarga nasal
  • Tosse ou espirros
  • Penas desalinhadas

Como ajudar a prevenir a gripe aviária nas aves de capoeira

Os vírus da gripe aviária disseminam-se por contacto direto com aves infetadas ou através de alimentos, água, equipamento e vestuário contaminados. Por conseguinte, a biossegurança é o primeiro e mais importante método de prevenção desta doença nos aviários.

Eis algumas medidas a adotar nos aviários para impedir a entrada do vírus:

1. Reduza os pontos de atração para as aves selvagens:

  • Eliminar pontos de água estagnada:
    • Vede a sua exploração para evitar o acesso a pontos de água.
    • Evite deslocar ou mover equipamento perto de pontos de água utilizados pelas aves selvagens.
  • Reduzir as fontes de alimento:
    • Não alimente as aves selvagens.
    • Instale os comedouros numa base limpa.
    • Faça limpezas rápidas da área de armazenamento dos alimentos.
    • Elimine os frutos das árvores, caso as houver na exploração, incluindo os frutos caídos no chão.
  • Resíduos das camas:
    • Não acumule os resíduos das camas perto de celeiros.
    • Feche os contentores de lixo corretamente.
    • Impeça o acesso das aves selvagens às carcaças das aves do aviário.

2. Impeça o acesso das aves selvagens:

Instale redes de exclusão, telas e dissuasores de poleiros, como gel repelente ou outras formas de repelente.

3. Reforce o sistema de repelente de aves selvagens:

Mova e substitua frequentemente os sistemas de repelentes sonoros de aves selvagens.

4. Mantenha as suas aves afastadas das zonas frequentadas por aves selvagens:

Mantenha as suas aves em espaço interior durante os períodos de maior risco. Caso as suas aves não possam ser colocadas em espaço interior, certifique-se de que a alimentação e fontes de água estão ao abrigo das aves selvagens.

5. Proteja as suas aves:

Proteja as aves do contacto com aves selvagens, nomeadamente, no caso de pequenas explorações em que as aves são criadas ao ar livre.

6. Controle o acesso de pessoas e equipamentos ao aviário:

Se tiverem sido detetados focos de gripe aviária em aves selvagens na sua região, reduza a circulação de pessoas, veículos ou equipamentos de e para as áreas onde as aves de capoeira estão alojadas. Mude de roupa antes e depois do contacto com os seus animais e certifique-se de que todos os visitantes à exploração fazem o mesmo.

7. Garanta a higiene da exploração, alojamentos, equipamentos, veículos e calçado:

Desinfete regularmente. Nos aviários comerciais, os alojamentos das aves devem ser lavados e desinfetados no final de cada ciclo de produção. Lave bem as mãos antes e depois do contacto com as aves.

8. Evitar a introdução de aves no aviário sobre as quais desconhece o estado de saúde:

Compre aves exclusivamente a fornecedores que lhe possam dar garantias de que as aves estão isentas de doenças. À chegada à exploração, as aves devem ficar em quarentena durante duas semanas, num local separado do restante efetivo.

9. Reporte a doença e/ou morte das aves:

Contacte um veterinário se tiver alguma dúvida/suspeita. Tomar medidas rapidamente ajudará a proteger outros aviários da região, se a doença for confirmada.

10. Elimine de forma adequada o estrume e as aves mortas:

Cumpra a legislação em vigor sobre a gestão do estrume e das aves mortas.

11. Mantenha a vigilância:

No mínimo, siga a legislação em vigor sobre monitorização e testagem de aves de capoeira.

Melhores práticas para ajudar a prevenir a propagação da gripe aviária

O tratamento da gripe aviária com medicamentos antivirais não está autorizado nem é recomendado. É melhor dispor de um sistema de monitorização e implementar medidas de biossegurança como prevenção contra este vírus.

Cada país tem um protocolo específico de GA, mas, em geral, a política consiste em abater o bando afetado, salvaguardando a segurança dos trabalhadores, e reforçando as medidas de biossegurança durante esta operação.

A Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE) recomenda para a definição da política de abate:

  • A destruição de todos os animais infetados e expostos ao vírus.
  • A eliminação adequada das carcaças e de todos os produtos animais.
  • Vigilância e rastreio de aves potencialmente infetadas ou expostas.
  • Quarentena rigorosa e controlos sobre a circulação de aves de capoeira e de quaisquer veículos em risco.
  • A descontaminação completa das instalações infetadas.
  • Um período de pelo menos 21 dias antes do alojamento de um novo grupo de aves.
  • Seguir todas as normas locais e nacionais.

A vacinação pode ser uma ferramenta poderosa para apoiar os programas de erradicação se usada em conjunto com outros métodos de controlo. A utilização de vacinas de emergência para diminuir a taxa de transmissão poderia constituir uma alternativa ao abate preventivo, reduzindo a suscetibilidade de grupos de aves saudáveis em risco de contrair o vírus.

Gripe aviária em Portugal e na Europa

Os primeiros focos de infeção com uma nova estirpe de vírus da GAAP (Gripe Aviária de Alta Patogenicidade), do subtipo H5N1, no território da União Europeia foram detetados no início do outono de 2021. Desde então tem sido registado um número muito elevado de focos de infeção, afetando aves selvagens e aves domésticas, na maioria dos Estados-Membros da União Europeia, bem como em vários países terceiros do continente europeu.

Em Portugal, o primeiro foco foi detetado a 30 de novembro de 2021 numa capoeira doméstica do concelho de Palmela. Desde então, e até 15 de março de 2022, foram confirmados 20 focos de GAAP do subtipo H5N1: 14 focos em aves domésticas, incluindo explorações comerciais de perus, galinhas e patos, uma coleção privada de aves e capoeiras domésticas e 6 focos em aves selvagens.

Em Portugal, a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) emitiu, a 23 de fevereiro de 2022, o Aviso nº 18 Gripe Aviária de Alta Patogenicidade, que define as “zonas de alto risco” para a gripe aviária em Portugal e estabelece as medidas a adotar nestas zonas. Consulte AQUI o documento.

Sabia que?

  • Embora os vírus da gripe aviária A não infetem tipicamente as pessoas, casos raros de infeção humana com estes vírus têm sido relatados após contacto desprotegido com aves infetadas ou superfícies contaminadas com vírus da gripe aviária (CDC, 2017).
  • H5N1 é um vírus da gripe aviária altamente patogénico  (GAAP). Pode ser mortal para aves e humanos. O primeiro caso humano ocorreu em 1997. Desde novembro de 2003, o H5N1 matou mais de 50% das pessoas que foram infetadas por ele (OMS, 2020).
  • A gripe aviária H7N9 é classificada pela Ferramenta de Avaliação do Risco da Gripe como tendo o maior potencial para causar uma pandemia, assim como representar potencialmente o risco mais significativo de afetar severamente a saúde pública caso ocorra transmissão continuada entre humanos.
  • Os humanos são geralmente infetados através do contacto direto com aves infetadas. As aves transmitem o vírus da gripe na saliva, fezes e muco. Portanto, o contacto com excrementos de aves também é uma possível via de transmissão.

Referências

USDA Avian Influenza Guidance Documents, USDA APHIS | Avian Influenza Guidance Documents

Centers for Disease Control and Prevention (2017), Avian Influenza A Virus Infections in Humans

USDA 2022 Confirmations of Highly Pathogenic Avian Influenza in Commercial and Backyard Flocks, https://www.aphis.usda.gov/aphis/ourfocus/animalhealth/animal-disease-information/avian/avian-influenza/hpai-2022

World Organization for Animal Health, Avian Influenza: OIE: World Organization for Animal Health

Watt Global Media, Breaking down U.S. avian flu cases by flock type | WATTPoultry (wattagnet.com)

Food and Agriculture Organization of the United Nations, https://www.fao.org/avianflu/en/qanda.html

Direção Geral de Alimentação e Veterinária, https://www.dgav.pt/wp-content/uploads/2022/02/Aviso18_GAAP_23022022.pdf e https://www.dgav.pt/wp-content/uploads/2022/03/edital-17_gaap_15032022.pdf

Autora: Tien LeEditorial Content Manager Alltech. Informação sobre gripe aviária em Portugal: Alltech Portugal.

 

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